na semana passada andei pela torre do tombo a consultar os processos-crime de armando bacelar perante a pide/dgs. ainda consegui consultar e analisar o processo com o n.º 87/47, o qual corresponde à sua primeira prisão: detido em 11 de abril de 1947, foi solto em 18 de junho, segundo termo de liberdade condicional. foi acusado, então, de actividades subversivas contra a segurança do estado, e, segundo a informação então prestada pelo investigador, "como elemento de relevo e dirigente da organização secreta subversiva "partido comunista português", destacando-se especialmente essas actividades - que naquela organização secreta são designadas por "trabalhos legais" - nas comissões do chamado "movimento de unidade democrática", que orienta e dirige, como representante da citada organização comunista". este processo é composto por trinta e três documentos, com dados curiosos para uma biografia exaustiva política de armando bacelar. ainda consultei o seu cadastro biográfico elaborado pela pide em 1 de abril de 1961 e, não sem surpresa, o processo de 5 de fevereiro de 1945, o qual diz respeito à candidatura de bacelar para bibliotecário. este processo consta de uma folha, e a pide solicitava ao então presidente da câmara municipal de vila nova de famalicão, álvaro folhadela marques, informação sobre o candidato, o qual diz o seguinte: "o indivíduo a que se refere o presente boletim é geralmente considerado como partidário de ideias avançadas, tanto políticas, económicas e religiosas." tem a data de 12 de fevereiro de 1945. contém outra informação cujo teor é o seguinte: "é elemento desafecto ao estado novo, ofício confidencial n.º 1950/945", com a data de 12 de junho de 1945, e a manuscrito podemos ler: "oposição". com tais informações, claro, o lugar de bibliotecário ficou fora de hipótese, apesar de ter sido admitido a concurso "para provimento do lugar de bibliotecário da biblioteca nacional de vila nova de famalicão". este concurso, na época, causou alguma polémica, antes e depois da nomeação da pessoa escolhida. a seu tempo faremos aqui um pouco da sua história.
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segunda-feira, 29 de agosto de 2011
sexta-feira, 15 de abril de 2011
alberto santos em famalicão
O escritor Alberto Santos vai estar na Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, em Vila Nova de Famalicão, no próximo dia 20 de Abril, pelas 21h30, a apresentar o seu último romance A Profecia de Istambul. Depois do sucesso alcançado com A Escrava de Córdova, Alberto Santos saiu do anonimato e atingiu um patamar de grande êxito, comprovado pelos mais de 15 mil livros vendidos, um valor notável para uma primeira obra de um autor português. Dois anos passados, a Porto Editora publica A Profecia de Istambul, o segundo romance do escritor. Se do primeiro livro se podia dizer que a forma como o rigor histórico (que resulta em verdadeiros momentos de aprendizagem por parte do leitor) se fundia com um enredo cativante e cheio de ritmo era o grande trunfo, desta nova obra espera-se uma leitura ainda mais cativante. Alberto Santos é advogado, formado pela Universidade Católica Portuguesa, e exerce, actualmente, o cargo de Presidente da Câmara de Penafiel, de onde é natural e reside. A Profecia de Istambul é um empolgante romance que traz à cena os prodigiosos seres que transformaram a bacia do Mediterrâneo num fervente caldeirão cultural durante o Século de Ouro. Num tempo em que mudar de religião pode significar a ascensão social ou a fogueira da Inquisição, muitos são os homens e as mulheres permanentemente confrontados com as mais duras penas, e com a sua própria consciência, para que tomem a decisão das suas vidas.Pelo meio de corsários, cativos, renegados, conquistadores e judeus fugidos dos estados ibéricos, entre um inviolável pacto e um perturbante mistério, emerge uma fascinante história de amor, que irá colocar à prova os valores mais profundos de um ser humano.
do sítio do município de vila nova de famalicão
quarta-feira, 9 de março de 2011
quinta-feira, 3 de março de 2011
quarta-feira, 2 de março de 2011
leitura pública
"A biblioteca municipal de V. N. de Famalicão foi inaugurada a 5/X/1913, no quadro das celebrações locais do 3.º ano da implantação da República. Materializava-se assim uma decisão do ano anterior da edilidade local republicana (presidida pelo senador Sousa Fernandes), surgida na sequência duma circular do Governo Civil do Porto «chamando a atenção para a reorganização dos serviços de bibliotecas e arquivos nacionais». Durante esse intervalo de tempo, aprova-se o nome de Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco (enquanto tributo ao filho da terra...), solicitam-se doações de particulares via jornal O Porvir (apelo correspondido por personalidades republicanas como Alberto Pimentel, Bernardino Machado, Júlio Brandão, Manuel Monteiro, Mendes dos Remédios, Nuno Simões, Eduardo Carvalho e o próprio Sousa Fernandes) e organiza-se o catálogo e o regulamento dos serviços. A biblioteca aranca com um acervo documental de 2439 volumes, sobretudo obras literárias, destacando-se as da «geração de 70» (Eça, Antero e Fialho) e de Camilo, com 136 títulos. O seu horário não era o mais adequado (20-22h em Março-Agosto, 19-21h nos outros meses), mas ao permitir o empréstimo domiciliário ia ao encontro do «propósito [regulamentar] de disseminar a instrução pública por meio da Leitura de livros de reconhecida utilidade.»" (73-74).
Observações. Neste breve resumo da Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, faltou apenas referir o primeiro bibliotecário, também ele republicano, Henrique Garcia Pereira Martins (já aqui coloquei a sua biografia e o seu retrato), cuja nomeação foi em 28 de Dezembro de 1912; e, não nos podemos esquecer, que a doação não foi só de livros, como também foi monetário e de material, e, algo muito importante, a doação, no caso dos livros, não se cingiu apenas aos republicanos: os monárquicos também fizeram excelentes doações. Se houve localidade, outras não conheço, em que republicanos e monárquicos estiveram juntos foi precisamente na cultura, caso não só na constituição da Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, como igualmente na Comissão de Homenagem Póstuma a Camilo Castelo Branco (Presidente José de Azevedo e Menezes), cuja Comissão tinha o papel da reconstituição da Casa de Camilo após o incêndio de 1915. O Presidente da Assembleia da Comissão Promotora foi o Visconde de Pindela, também um dos doadores de livros para a futura Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, entre outros.
Formar Cidadãos: ideários, propostas e debates
II
Do ideal à Prática: quadro e resultados da política sectorial
III
Para Além do Estado: o contributo da sociedade civil organizada
IV
À Procura de Leitores
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
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