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quarta-feira, 29 de junho de 2011

sábado, 30 de abril de 2011

camilo retratado



Ana Augusta Plácido - Carta a Joaquim Ferreira Moutinho

Ramalho Ortigão - Camilo Castelo Branco

Fialho de Almeida - Camilo Castelo Branco

Manuel Pinheiro Chagas - Prefácio a «Amor de Perdição»

Alberto Pimentel - O Gabinete de Camilo. Uma visita ao Primeiro Romancista Português

Silva Pinto - Parágrafos camilianos. O Mestre e Eu

Cândido de Figueiredo - A primeira vez que o vi...

Oliveira Martins - Carta ao redactor da Nova Alvorada

Francisco Gomes de Amorim - A Camilo Castelo Branco.

Sampaio Bruno - A Grande Glória...

Luciano Cordeiro - Um Olhar

José Caldas - O Temperamento de Camilo

Luís de Magalhães - Numa tarde do princípio de Junho

Moniz Barreto - O mais vigoroso e o menos equilibrado

J. M. Teixeira de Carvalho - Camilo em Coimbra

Gonçalves Crespo - A primeira vez que o vimos...

Bulhão Pato - A última vez que o vi...

Mariano Pina - Há doze ou quinze anos...

Trindade Coelho - O General! Requiem

Gomes Leal - Um muito complicado temperamento... Carta a Lopes de Oliveira

Eça de Queirós - Carta (não enviada) a Camilo Castelo Branco

Visconde de Benalcanfor - Noites de Insónia

Alexandre da Conceição - Um dos primeiros romancistas da Europa...

Ricardo Jorge - Visita a Seide. De como se casou Camilo

J. C. Vieira de Castro - Explicando a sua biografia de Camilo

Júlio César Machado - Sobre a biografia de Camilo por Vieira de Castro. Uma visita a Camilo na Cadeia da Relação

Adelino das Neves e Melo - ... que me compre um buro!

Manuel Ramos - Uma visita a Seide

António Cabral - A graça de Camilo

Abel Botelho/Fialho de Almeida - O Vinho do Porto, polémica

Garcia Redondo - Um Camilo curioso






  • E como falta, sem querer colocar em causa este magnífico trabalho de Viale Moutinho, um olhar feminino, existindo aqui só o de Ana Plácido, registo o olhar de uma tal Valentina de Lucena, isto é, Maria Amália Vaz de Carvalho, que conviveu com Camilo nos seus salões literários, nestes reunindo Eça de Queirós, Ramalho Ortigão, Guerra Junqueiro, entre tantos outros. Este artigo foi publicado no "Jornal de Comércio" a 3 de Junho de 1890.











domingo, 24 de abril de 2011

camilo - cafés política padres e religião




Em Famalicão os cafés e os restaurantes, em épocas eleitorais, são fábricas de deputados e de bebedeiras [...] Padres, cheios de ideias e bifes de cebolada, fazem discursos com largos gestos, aquecendo as imagens com os cigarros que sorvem engolindo o fumo e a gramática num grande desprezo da moral e da sintaxe. São os futuros abades e cónegos. Braga tem exportado alguns oradores excelentes para estes comícios rurais. O povo das feiras escuta-os com atenção palerma, e parece que os acredita tanto nas estalagens como nos púlpitos. A religião e a política deste povo, pelo que respeita à consciência, é tudo o mesmo. O cristianismo é uam exterioridade de símbolos, sem ideia, sem convicção, com todos os prejuízos da Idade Média, e nenhum dos preceitos sociais da religião depurada pela joeira da filosofia. Aqui, de dez em dez anos, aparecem uns missionários que são uns Dantes extemporâneos na descrição miúda do inferno. Não ensinam, rugem horrores sempiternos, que perdem na fé dos ouvintes o que lucram na intensidade descritiva dos tormentos. Ora, «pregar não há-de ser praguejar», dizia Gil Vicente a D. João III dos frades de Santarém. Algumas mulheres, durante a missão, desprendem-se das obrigações domésticas, e ficam para toda a vida inúteis, em uma pasmaceira estúpida. Outras, não se rapam, nem se convertem; pelo contrário, depois de um grande misticismo, despapam-se na languidez da carne ociosa, e fazem asneiras como quase todas as ascéticas dos modernos romances - as Albinas e as Amélias de Zola e Queirós.»



do projecto literário

o minho de camilo


sábado, 23 de abril de 2011

camilo e as romarias





As romarias desta região mais idólatra da Europa vão decaindo. Anos de pouco vinho, por via de regra, são anos de pouca devoção. As almas enchiam-se de fé, ao passo que as pipas se enchiam de ar. Afinal, os devotos mutuavam-se grossa pancadaria, no auge da contrição, para mutuamente se castigarem do pecado da bebedeira. Assim que o bicho entrou pela videira, o pulgão afistulou-se nas convicções do calendário, entraram os povos a duvidar dos santos taumaturgos, e inclinar-se mais para as drogas dos boticários; e houve aí incrédulo que recorreu às papas de linhaça no pescoço antes de se apegar com S. Brás, e as pílulas de família estão fazendo vantajosa oposição aos exorcismos. Tudo isto por falta de vinho. Pergunta-se a um lavrador se não vai à romaria de Santo Amaro ou Santa Luzia. Responde que deve à santa advogada da vista uma promessa; ; mas que se não pode ir a romagens enquanto o vinho estiver a dezasséis vintéis a canada. Eis a fé... na canada.



Camilo, Ecos Humorísticos do Minho



do projecto literário

o minho de camilo



sexta-feira, 22 de abril de 2011

camilo e a música






  • Quando soou em Ruivães a nova de haver chegar ao Porto o Africano, com a filha, os homens ricos e pobres, da terra e de fora, contribuiram com mais ou menos para se lhes fazer uma espera de estrondo em Famalicão. Contractaram-se as bandas musicais mais em voga, ou mais na berra, como diziam os antigos. Parece que a frase seiscentista foi inventada particularmente para as orquestras daqueles sítios, as quais "berram" pelas suas guelas de metal, quando a paixão filarmónica as não exalta do berro ao mugido, do mugido ao urro, e do urro ao bramido. Há ali trombetas que parecem ter assistido ao arrazar-se da Jericó da bíblia, e se reservam para trovejarem o horrendo sinal da ressureição em Josafat. / Eram quatro as filarmónicas chamadas a festejarem a entrada de António Duque no concelho. A música de Landim, famosa por seis cornetas de chaves, que executavam valsas e peças teatrais, de modo que, se Ducis as ouvisse diria que a ópera lírica balbuciara os seus primórdios entre as florestas druídicas. A banda de Fafião competia coma de Guinfões na substância das trompas e troada das caixas. A de Ruivães avantajava-se às três rivais na delicadeza das modas e sentimentalismo com que as charamelas respiravam o sopro daqueles músicos, cujas bochechas pareciam estar cheias de alma e castanhas assadas.




  • Sou um homem feliz e digno de inveja. Tenho saboreado os inocentes deleites que prodigalizam ao seu auditório as quatro bandas musicais de Landim, Fafião, Ruivães e Guinfões. Quando algum amigo vai alegrar o ermo de S. Miguel de Seide, chamo logo a música mais delicada, a de Ruivães; principalmente se o amigo é de Lisboa, e frequentador de S. Carlos. O senhor visconde de Castilho e seu filho Eugénio são chamados a depor neste processo da imortalidade que vou instaurando ao figle e ao requinta, principalmente à requinta de Ruivães. Não vi o senhor visconde chorar de prazer, mas observei que s. excia estava comovido quando a requinta assobiava uns guinchos estridentes de "Maria Caxuxa". / Tomás Ribeiro, o poeta eminente, recolhia-se às vezes, não só ao seu quarto a calafetar os outros, mas ao íntimo de sua alma a fazer viveiro de inspirações. Eugénio de Castilho, o poeta das fantasias louras, quer a música de Ruivães lhe amolentasse a sensibilidade, quer os rouxinóis das ramarias lhe dessem invejas dos seus amores, fosse o que fosse, foi assaltado e vencido duma paixão.


Camilo, Aquela Casa Triste



Do projecto literário


O Minho de Camilo: breviário

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

prado coelho e camilo

"Há, com efeito, na obra de Camilo Castelo Branco, uma estética, uma retórica e uma concepção da vida (ou uma «filosofia», se quiserem), interpenetrando-se, como elementos substancialmente convergentes, e a cuja consideração tem de subordinar-se a crítica, no respeitante ao que há de idealismo ou de naturalismo na sua arte." (35)
A. do Prado Coelho


CASTELO BRANCO, Camilo
Camilo Castelo Branco. Introd., sel. de textos A. de Prado Coelho. Lisboa: Sociedade Editorial e Livraria, [1943]. (As Melhores Páginas da Literatura Portuguesa).
Contém extractos textuais dos livros de Camilo "A Bruxa de Monte Córdova", "O Judeu", "O Romance dum Homem Rico", "A Brasileira de Prazins", "Amor de Perdição", "Cenas Contemporâneas", "A Caveira da Mártir", "Vingança", "O Santo da Montanha", "O Sangue", "Doze Casamentos Felizes", "O Que Fazem Mulheres", "Lágrimas Abençoadas", "A Corja", "Coração, Cabeça e Estômago", "A Doida do Candal", "Maria Moisés", "Serões de S. Miguel de Seide", "Cenas Inocentes da Comédia Humana", "Noites de Insónia", "A Sereia" e de "O Bem e o Mal". O Rui Araújo, ver http://trechosdefama.blogspot.com, teve a amabilidade de ceder este livro para o aqui referenciar. Abraço fraternal.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

seide, ponto do universo

LITERATURA E NATUREZA
"A gente das cidades pergunta-me em que país do mundo florescem, em Dezembro, bouças e montados. / Respondo que é em Portugal, no perpétuo jardim do mundo, no Minho, onde os inventores de deuses teriam ideado as suas teogonias, se não existisse a Grécia. No Minho, ao menos se buscariam águas límpidas para para Castálias e Hipocrenes. No Minho, a Cítera para a mãe dos amores. Nos arvoredos desta região de sonhos, de poemas, e rumores de conversarem espíritos, é que os sátiros, as dríades e os silvanos sairiam a cardumes dos troncos e regatos: que tudo aqui parece estar dizendo que a Natureza tem segredos defesos ao vulgo, e como a entreabrirem-se à fantasia de poetas. / Mas que flores... quer o leitor saber que flores vestem os calvos e denegridos cerros do Minho, em Portugal. São flores a festões, cachos de corolas amarelas em jardins: é a florescencência dos tojais, plantas repulsivas por seus espinhos, alegres de sua perpétua verdura, únicas a enfeitarem a terra quando a restante natureza vegetal amarelece, definha e morre. E desse privilégio como que o agreste arbusto se está gozando soberbamente, pois que vos amostra as suas pinhas de flores, e com os inflexíveis espinhos vos defende o despojá-lo delas."
Camilo Castelo Branco - Amor de Salvação. Lisboa: Círculo de Leitores, 1989, p. 11.
do projecto literário em curso
"Dicionário Temático Camiliano"
por Amadeu Gonçalves

as artes e camilo


II BIENAL DE FAMALICÃO
II Bienal de Famalicão: em torno de Camilo. V. N. de Famalicão: Câmara Municipal; Fundação Cupertino de Miranda, 1997
Exposição realizada entre 1 de Fevereiro a 11 de Maio nos seguintes núcleos: Fundação Cupertino de Miranda, Casa-Museu de Camilo, Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco e Casa da Cultura de Famalicão. Comissão executiva constituída por Miguel von Hafe Perez, Joaquim LimArtur Sá da Costa.




  • Aníbal Pinto de Castro - "Camilo Castelo Branco: a vida e a ficção como temas de criação plástica".
  • José Manuel de Oliveira - "A Herança do Romancista".
  • J. Cândido Martins - "Afirmação da Estética Realista-Naturalista e a RecepçãoCrítico-Parodística de Camilo".
  • Miguel von Hafe Perez - "A Propósito da II Bienal de Famalicão - em torno de Camilo".